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Dieta com baixa proteína reduz gordura e fragilidade em camundongos
Uma dieta com baixa proteína, baseada principalmente em vegetais e peixe, reduziu a gordura corporal e a fragilidade em camundongos…

Uma dieta com baixa proteína, baseada principalmente em vegetais e peixe, reduziu a gordura corporal e a fragilidade em camundongos idosos. Os animais também preservaram a massa magra e apresentaram melhores indicadores de saúde metabólica.
O estudo foi publicado na revista Cell Metabolism. A intervenção incluía uma pequena quantidade de metionina, aminoácido essencial encontrado em alimentos como carnes, ovos e laticínios.
Leia mais: Dieta mediterrânea pode ativar mecanismos ligados à longevidade
Os pesquisadores também analisaram dados de mais de 200 mil pessoas. Uma maior ingestão de proteína animal esteve associada a mais obesidade e maior prevalência de diabetes tipo 2. Essa parte do estudo foi observacional e não permite estabelecer uma relação causal.
Dieta foi testada em camundongos idosos
O experimento incluiu camundongos de 20 meses, divididos em quatro grupos. Cada grupo recebeu uma das seguintes dietas:
- alimentação-padrão;
- dieta ocidental, rica em gorduras e açúcares;
- dieta cetogênica, com poucos carboidratos;
- dieta com baixa proteína e nível moderado de metionina.
A última formulação foi inspirada em padrões alimentares tradicionais do Mediterrâneo e de Okinawa. Era composta principalmente por alimentos vegetais, com a inclusão de peixe.
Os camundongos que receberam essa dieta apresentaram menor massa de gordura e menor fragilidade. A massa corporal magra foi preservada.
O estudo também registrou melhora em marcadores cardiometabólicos. Segundo os autores, esses resultados indicam aumento do período de vida com boa saúde, chamado de healthspan.
O trabalho não mostrou aumento da longevidade total dos animais.
Quantidade de metionina influenciou os resultados
A metionina participa da síntese de proteínas e de diferentes processos metabólicos. Como é um aminoácido essencial, precisa ser obtida pela alimentação.
No experimento, os melhores resultados apareceram quando a quantidade de metionina era baixa, mas suficiente. Níveis muito reduzidos foram associados a maior fragilidade. Quando a concentração aumentava, os benefícios metabólicos diminuíam.
Para Maura Fanti, primeira autora do estudo, os dados indicam que a composição dos aminoácidos pode ser tão relevante quanto a quantidade total de proteína consumida.
O resultado não sustenta a suplementação livre de metionina. O aminoácido foi administrado dentro de uma formulação experimental com composição controlada.
Animais perderam gordura sem redução de calorias
Os camundongos alimentados com a dieta de baixa proteína consumiram quantidade semelhante ou maior de alimentos que os demais grupos. A ingestão calórica também foi comparável.
Mesmo assim, os animais perderam gordura sem reduzir a massa magra.
Leia mais: A melhor dieta para a longevidade existe?
Segundo Valter Longo, pesquisador da Universidade do Sul da Califórnia e autor do estudo, o resultado questiona a ideia de que a restrição calórica seja sempre necessária para a redução de gordura corporal.
A observação foi feita em camundongos e ainda precisa ser testada em humanos.
Dieta alterou hormônios ligados ao metabolismo
A dieta com baixa proteína também modificou moléculas envolvidas no metabolismo e no envelhecimento.
Entre elas estava o GLP-1, hormônio que participa do controle da glicemia, da secreção de insulina e da saciedade. Os pesquisadores observaram aumento de sua concentração nos animais submetidos à intervenção.
O estudo encontrou mudanças coordenadas em outros hormônios metabólicos. Os autores pretendem investigar se respostas semelhantes ocorrem em pessoas.
Os dados não indicam que a dieta produza efeitos equivalentes aos medicamentos agonistas do receptor de GLP-1.
Proteína animal foi associada a obesidade e diabetes
A equipe analisou dados alimentares e de saúde de mais de 200 mil participantes.
Pessoas com maior consumo de proteína animal apresentaram maior prevalência de obesidade e cerca do dobro da prevalência de diabetes tipo 2, em comparação com aquelas que consumiam pouca ou nenhuma proteína animal.
A associação permaneceu mesmo entre participantes que relataram menor ingestão de calorias e outros hábitos alimentares considerados saudáveis.
A análise não testou a dieta usada nos camundongos. Também não avaliou diretamente a suplementação de metionina.
Como os dados são observacionais, não é possível afirmar que a proteína animal tenha causado obesidade ou diabetes. Outros componentes da alimentação e diferenças no estilo de vida podem ter influenciado os resultados.
Estratégia ainda precisa ser testada em humanos
O estudo não define uma quantidade ideal de proteína ou metionina para pessoas. Também não demonstra que uma dieta com baixa proteína prolongue a vida humana.
A redução da ingestão proteica exige cautela, sobretudo entre pessoas idosas. Uma oferta insuficiente de proteínas pode favorecer perda muscular, fraqueza e fragilidade.
Os pesquisadores pretendem realizar um ensaio clínico controlado para avaliar a dieta em humanos. O estudo deverá verificar seus efeitos sobre composição corporal, metabolismo, força e segurança nutricional.
Referência:
Fanti, Maura et al. “Methionine-supplemented longevity diet increases growth hormone, GLP-1, and FGF21; reduces frailty; and promotes healthspan.” Cell metabolism, S1550-4131(26)00225-1. 23 Jun. 2026, doi:10.1016/j.cmet.2026.05.015
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